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(Tudo que faço ou medito...)
Tudo que faço ou medito
Fica sempre na metade
Querendo, quero o infinito.
Fazendo, nada é verdade.

Que nojo de mim me fica
Ao olhar para o que faço!
Minha alma é lúdica e rica,
E eu sou um mar de sargaço —

Um mar onde bóiam lentos
Fragmentos de um mar de além...
Vontades ou pensamentos?
Não o sei e sei-o bem.
Todo lo que hago o medito
Queda siempre en la mitad
Queriendo, quiero el infinito.
Haciendo, nada es verdad.

¡Que enojo de mí me queda
Al mirar hacia lo que hago!
Mi alma es lúdica y rica,
Y soy un mar de sargazo —

Un mar donde flotan lentos
Fragmentos de un mar de más allá...
¿Voluntades o pensamientos?
No lo sé y sélo bien.

Fernando Pessoa
13-9-1933

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