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Criança Desconhecida
Criança desconhecida e suja brincando à minha porta,
Não te pergunto se me trazes um recado dos símbolos.
Acho-te graça por nunca te ter visto antes,
E naturalmente se pudesses estar limpa eras outra criança,
Nem aqui vinhas.
Brinca na poeira, brinca!
Aprecio a tua presença só com os olhos.
Vale mais a pena ver uma cousa sempre pela primeira vez que conhecê-la,
Porque conhecer é como nunca ter visto pela primeira vez,
E nunca ter visto pela primeira vez é só ter ouvido contar.

O modo como esta criança está suja é diferente do modo como as outras estão sujas.
Brinca! pegando numa pedra que te cabe na mão,
Sabes que te cabe na mão.
Qual é a filosofia que chega a uma certeza maior?
Nenhuma, e nenhuma pode vir brincar nunca à minha porta.
Criatura desconocia y sucia jugando en mi puerta,
No te pregunto si me traes un recado de los símbolos.
Encuéntrote gracia por nunca haberte visto antes,
Y naturalmente si pudieras estar limpia serías otra criatura,
Ni aquí vengas.
Juega en la polvareda, ¡juega!
Aprecio tu presencia sólo con los ojos.
Vale más la pena ver una cosa siempre por primera vez que conocerla,
Porque conocer es como nunca haberla visto por primera vez,
Y nunca haber visto por primera vez es sólo haber oido contar.

El modo como esta criatura está sucia es diferente del modo como las otras están sucias.
¡Juega! tomando una piedra que te cabe en la mano,
Sabes que te cabe en la mano.
¿Cuál es la filosofía que llega a una certeza mayor?
Ninguna, y ninguna puede venir a jugar nunca a mi puerta.
Poemas Inconjuntos
Alberto Caeiro
12-4-1919

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