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Não Basta
Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há idéias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.
No basta abrir la ventana
Para ver los campos y el rio.
No es bastante no ser ciego
Para ver los árboles y las flores.
Es preciso también no tener filosofía ninguna.
Con filosofía no hay árboles: hay ideas apenas.
Hay sólo cada uno de nosotros, como un sótano.
Hay sólo una ventana cerrada, y todo el mundo allá afuera;
Y un sueño de lo que podría verse si la ventana se abriera,
Que nunca es lo que se ve cuando se abre la ventana.
Poemas Inconjuntos
Alberto Caeiro
20-4-1919

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