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Quando Vier A Primavera
Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma

Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.
Cuando venga la Primavera,
Si yo ya estuviera muerto,
Las flores florecerán de la misma manera
Y los árboles no serán menos verdes que en la Primavera pasada.
La realidad no precisa de mí.

Siento una alegría enorme
Al pensar que mi muerte no tiene importancia alguna

Si supiera que mañana moriría
Y la primavera fuera pasado mañana,
Moriría contento, porque ella sería pasado mañana.
Si ese es su tiempo, ¿cuando había ella de venir sino en su tiempo?
Gusto de que todo sea real y que todo este bien;
Y gusto porque así sería, incluso si yo no gustase.
Por eso, si muriera ahora, muero contento,
Porque todo es real y todo está bien.

Pueden rezar en latín sobre mi cajón, si quisieran.
Si quisieran, pueden bailar y cantar en rueda a él.
No tengo preferencias para cuando ya no pueda tener preferencias.
Lo que fuera, cuando fuera, es que será lo que es.
Poemas Inconjuntos
Alberto Caeiro
7-11-1915

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