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Quem Me Dera Que Eu Fosse O Pó Da Estrada
Quem me dera que eu fosse o pó da estrada
E que os pés dos pobres me estivessem pisando...

Quem me dera que eu fosse os rios que correm
E que as lavadeiras estivessem à minha beira...

Quem me dera que eu fosse os choupos à margem do rio
E tivesse só o céu por cima e a água por baixo...

Quem me dera que eu fosse o burro do moleiro
E que ele me batesse e me estimasse...

Antes isso que ser o que atravessa a vida
Olhando para trás de si e tendo pena...
Quien me diera que yo fuera el polvo del camino
Y que los pies de los pobres me estuvieran pisando...

Quien me diera que yo fuera los rios que corren
Y que las lavanderas estuvieran a mi orilla...

Quien me diera que yo fuera los álamos a la márgen del rio
Y tuviera sólo el cielo por encima y el agua por debajo...

Quien me diera que yo fuera el burro del molendero
Y que él me palmeara y me estimase...

Antes eso que ser el que atraviesa la vida
Mirando para atrás de sí y teniendo pena...
O Guardador De Rebanhos
Alberto Caeiro
08-03-1914

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