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Demogorgon
Na rua cheia de sol vago há casas paradas e gente que anda.
Uma tristeza cheia de pavor esfria-me.
Pressinto um acontecimento do lado de lá das frontarias e dos movimentos.

Não, não, isso não!
Tudo menos saber o que é o Mistério!
Superfície do Universo, ó Pálpebras Descidas,
Não vos ergais nunca!
O olhar da Verdade Final não deve poder suportar-se!

Deixai-me viver sem saber nada, e morrer sem ir saber nada!
A razão de haver ser, a razão de haver seres, de haver tudo,
Deve trazer uma loucura maior que os espaços
Entre as almas e entre as estrelas.

Não, não, a verdade não! Deixai-me estas casas e esta gente;
Assim mesmo, sem mais nada, estas casas e esta gente...
Que bafo horrível e frio me toca em olhos fechados?
Não os quero abrir de viver! ó Verdade, esquece-te de mim!
En la calle llena de sol vago hay casas paradas y gente que anda.
Una tristeza llena de pavor me enfria.
Presiento un acontecimiento del lado de allá de las fronteras y de los movimientos.

¡No, no, eso no!
¡Todo menos saber qué es el Misterio!
¡Superficie del Universo, oh Párpados Cerrados,
No los abras nunca!
¡El mirar de la Verdad Final no debe poder soportarse!

¡Déjame vivir sin saber nada, y morir sin saber nada todavía!
La razón de que haya que ser, la razón de que hayan seres, de que haya todo,
Debe traer una locura mayor que los espacios
Entre las almas y entre las estrellas.

¡No, no, la verdad no! Déjame estas casas y esta gente;
Así mismo, sin más nada, estas casas y esta gente...
¿Que vaho horrible y frio me toca a ojos cerrados?
¡No los quiero abrir de vivir! ¡oh Verdad, olvídate de mí!

Álvaro de Campos

©2004-12-31 by Sebastián Santisi, all rights reserved.


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