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Lenta, Descansa
Lenta, descansa a onda que a maré deixa.
Pesada cede. Tudo é sossegado.
Só o que é de homem se ouve.
Cresce a vinda da lua.

Nesta hora, Lídia ou Neera ou Cloe,
Qualquer de vós me é estranha, que me inclino
Para o segredo dito
Pelo silêncio incerto.

Tomo nas mãos, como caveira, ou chave
De supérfluo sepulcro, o meu destino,
E ignaro o aborreço
Sem coração que o sinta.
Lenta, descansa la ola que la marea deja.
Pesada cede. Todo está tranquilo.
Sólo lo que es de hombre se oye.
Crece la venida de la luna.

En esta hora, Lidia o Neera o Cloe,
Cualquiera de vosotras me es extraña, que me inclino
Para el secreto dicho
Por el silencio incierto.

Tomo en las manos, como calavera, o llave
De superfluo sepulcro, mi destino,
E ignaro lo aborrezco
Sin corazón que lo sienta.
Odes De Ricardo Reis
Ricardo Reis

©2005-01-05 by Sebastián Santisi, all rights reserved.


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