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(Sou vil, sou reles, como toda a gente
Sou vil, sou reles, como toda a gente
Não tenho ideais, mas não os tem ninguém.
Quem diz que os tem é como eu, mas mente.
Quem diz que busca é porque não os tem.

É com a imaginação que eu amo o bem.
Meu baixo ser porém não mo consente.
Passo, fantasma do meu ser presente,
Ébrio, por intervalos, de um Além.

Como todos não creio no que creio.
Talvez possa morrer por esse ideal.
Mas, enquanto não morro, falo e leio.

Justificar-me? Sou quem todos são...
Modificar-me? Para meu igual?...
— Acaba já com isso, ó coração!
Soy vil, soy escorias, como toda la gente
No tengo ideales, pero no los tiene nadie.
Quien dice que los tiene es como yo, pero miente.
Quien dice que busca es porque no los tiene.

Es con la imaginación que yo amo el bien.
Mi bajo ser por ende no me lo consiente.
Paso, fantasma de mi ser presente,
Ebrio, por intervalos, de un Más Allá.

Como todos no creo en lo que creo.
Tal vez pueda morir por ese ideal.
Pero, mientras no muero, hablo y leo.

¿Justificarme? Soy quien todos son...
¿Modificarme? ¿Para mi igual?...
— ¡Acaba ya con eso, oh corazón!
Barrow-On-Furness
Álvaro de Campos

©2005-01-10 by Sebastián Santisi, all rights reserved.


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