site de poesias coligidas de
F E R N A N D O   P E S S O A
http://www.fpessoa.com.ar

<<Voltar-Volver>>


(Deuses, forças, almas de ciência ou fé,)
Deuses, forças, almas de ciência ou fé,
Eh! Tanta explicação que nada explica!
Estou sentado no cais, numa barrica,
E não compreendo mais do que de pé.

Por que o havia de compreender?
Pois sim, mas também por que o não havia?
Água do rio, correndo suja e fria,
Eu passo como tu, sem mais valer...

Ó universo, novelo emaranhado,
Que paciência de dedos de quem pensa
Em outras cousa te põe separado?

Deixa de ser novelo o que nos fica...
A que brincar? Ao amor?, à indif'rença?
Por mim, só me levanto da barrica.
Dioses, fuerzas, almas de ciencia o fe,
¡Eh! Tanta explicación que nada explica!
Estoy sentado en el muelle, en un barril,
Y no comprendo más de lo que de pie.

¿Por qué habria de comprenderlo?
Pues sí, ¿pero también por qué no lo habría?
Agua del río, corriendo sucia y fria,
Yo paso como tú, sin valer más...

Oh universo, ovillo enmarañado,
¿Qué paciencia de dedos de quien piensa
En otras cosas te pone separado?

Deja de ser ovillo lo que nos queda...
¿A qué jugar? ¿Al amor?, ¿a la indif'rencia?
Por mí, sólo me levanto del barril.
Barrow-On-Furness
Álvaro de Campos

©2005-01-10 by Sebastián Santisi, all rights reserved.


<<Voltar-Volver>>


la-nutria.com.ar