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(Corre, raio de rio, e leva ao mar)
Corre, raio de rio, e leva ao mar
A minha indiferença subjetiva!
Qual "leva ao mar"! Tua presença esquiva
Que tem comigo e com o meu pensar?

Lesma de sorte! Vivo a cavalgar
A sombra de um jumento. A vida viva
Vive a dar nomes ao que não se ativa,
Morre a pôr etiquetas ao grande ar...

Escancarado Furness, mais três dias
Te aturarei, pobre engenheiro preso
A sucessibilíssimas vistorias...

Depois, ir-me-ei embora, eu e o desprezo
(E tu irás do mesmo modo que ias),
Qualquer, na gare, de cigarro aceso...
¡Corre, rayo de río, y lleva al mar
Mi indiferencia subjetiva!
¡Cual "lleva al mar"! Tu presencia esquiva
¿Qué tiene consigo y con mi pensar?

¡Babosa de suerte! Vivo cabalgando
La sombra de un jumento. La vida viva
Vive dando nombres al que no se activa,
Muere poniendo etiquetas al gran aire...

Patente Furness, tres días más
Te toleraré, pobre ingeniero preso
En sucesivísimas revisiones...

Después, me iré, yo y el desprecio
(Y tu irás del mismo modo que ibas),
Cualquiera, en la estación, de cigarrillo encendido...
Barrow-On-Furness
Álvaro de Campos

©2005-01-10 by Sebastián Santisi, all rights reserved.


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