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(Há quanto tempo, Portugal, há quanto)
Há quanto tempo, Portugal, há quanto
Vivemos separados! Ah, mas a alma,
Esta alma incerta, nunca forte ou calma,
Não se distrai de ti, nem bem nem tanto.

Sonho, histérico oculto, um vão recanto...
O rio Furness, que é o que aqui banha,
Só ironicamente me acompanha,
Que estou parado e ele correndo tanto...

Tanto? Sim, tanto relativamente...
Arre, acabemos com as distinções,
As subtilezas, o interstício, o entre,
A metafísica das sensações —

Acabemos com isto e tudo mais...
Ah, que ânsia humana de ser rio ou cais!
¡Hace cuánto tiempo, Portugal, hace cuánto
Vivimos separados! Ah, pero el alma,
Este alma incierta, nunca fuerte o calma,
No se distrae de tí, ni bien ni tanto.

Sueño, histérico oculto, un vano rincón...
El río Furness, que es lo que aquí baña,
Sólo irónicamente me acompaña,
Que estoy parado y él corriendo tanto...

¿Tanto? Sí, tanto relativamente...
Arre, acabemos con las distinciones,
Las sutilezas, el intersticio, el entre,
La metafísica de las sensaciones —

Acabemos con esto y lo demás...
¡Ah, qué ansia humana de ser río o muelle!
Barrow-On-Furness
Álvaro de Campos

©2005-01-10 by Sebastián Santisi, all rights reserved.


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