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Nada Fica
Nada fica de nada. Nada somos.
Um pouco ao sol e ao ar nos atrasamos
Da irrespirável treva que nos pese
Da humilde terra imposta,
Cadáveres adiados que procriam.

Leis feitas, estátuas vistas, odes findas —
Tudo tem cova sua. Se nós, carnes
A que um íntimo sol dá sangue, temos
Poente, por que não elas?
Somos contos contando contos, nada.
Nada queda de la nada. Nada somos.
Un poco al sol y al aire nos atrasamos
De la irespirable penumbra que nos pesa
De la humilde tierra impuesta,
Cadáveres postergados que procrean.

Leyes hechas, estatuas vistas, odas conclusas —
Todo tiene su sepultura. Si nosotros, carnes
A las que un íntimo sol da sangre, tenemos
Poniente, ¿por qué no ellas?
Somos cuentos contando cuentos, nada.
Odes De Ricardo Reis
Ricardo Reis

©2005-01-22 by Sebastián Santisi, all rights reserved.


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