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Eu
Eu, eu mesmo...
Eu, cheio de todos os cansaços
Quantos o mundo pode dar. —
Eu...
Afinal tudo, porque tudo é eu,
E até as estrelas, ao que parece,
Me saíram da algibeira para deslumbrar crianças...
Que crianças não sei...
Eu...
Imperfeito? Incógnito? Divino?
Não sei...
Eu...
Tive um passado? Sem dúvida...
Tenho um presente? Sem dúvida...
Terei um futuro? Sem dúvida...
A vida que pare de aqui a pouco...
Mas eu, eu...
Eu sou eu,
Eu fico eu,
Eu...
Yo, yo mismo...
Yo, lleno de todos los cansancios
Cuantos el mundo pueda dar. —
Yo...
Al final todo, porque todo es yo,
Y hasta las estrellas, que al parecer,
Me salieron del bolsillo para deslumbrar niños...
Qué niños no sé...
Yo...
¿Imperfecto? ¿Incógnito? ¿Divino?
No sé...
Yo...
¿Tuve un pasado? Sin duda...
¿Tengo un presente? Sin duda...
¿Tendré un futuro? Sin duda...
La vida que pare dentro de poco...
Pero yo, yo...
Yo soy yo,
Y quedo yo,
Yo...

Álvaro de Campos

©2005-01-28 by Sebastián Santisi, all rights reserved.


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