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Tiren-me Os Deuses
Tirem-me os deuses
Em seu arbítrio
Superior e urdido às escondidas
O Amor, glória e riqueza.

Tirem, mas deixem-me,
Deixem-me apenas
A consciência lúcida e solene
Das coisas e dos seres.

Pouco me importa
Amor ou glória,
A riqueza é um metal, a glória é um eco
E o amor uma sombra.

Mas a concisa
Atenção dada
Às formas e às maneiras dos objetos
Tem abrigo seguro.

Seus fundamentos
São todo o mundo,
Seu amor é o plácido Universo,
Sua riqueza a vida.

A sua glória
É a suprema
Certeza da solene e clara posse
Das formas dos objetos.

O resto passa,
E teme a morte.
Só nada teme ou sofre a visão clara
E inútil do Universo.

Essa a si basta,
Nada deseja
Salvo o orgulho de ver sempre claro
Até deixar de ver.
Sáquenme los dioses
En su arbitrio
Superior y urdido a las escondidas
El amor, gloria y riqueza.

Saquen, pero déjenme,
Déjenme apenas
La consciencia lúcida y solemne
De las cosas y los seres.

Poco me importa
Amor o gloria,
La riqueza es un metal, la gloria es un eco
Y el amor una sombra.

Pero la concisa
Atención dada
A las formas y a las maneras de los objetos
Tiene abrigo seguro.

Sus fundamentos
Son todo el mundo,
Su amor es el plácido Universo,
Su riqueza la vida.

Su gloria
Es la suprema
Certeza de la solemne y clara pose
De las formas de los objetos.

El resto pasa,
Y teme la muerte.
Sólo no teme ni sufre la visión clara
E inútil del Universo.

Esa a sí basta,
Nada desea
Salvo el orgullo de ver siempre claro
Hasta dejar de ver.
Odes De Ricardo Reis
Ricardo Reis

©2005-01-29 by Sebastián Santisi, all rights reserved.


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