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Só O Ter
Só o ter flores pela vista fora
Nas áleas largas dos jardins exatos
        Basta para podermos
        Achar a vida leve.

De todo o esforço seguremos quedas
As mãos, brincando, pra que nos não tome
        Do pulso, e nos arraste.
        E vivamos assim,

Buscando o mínimo de dor ou gozo,
Bebendo a goles os instantes frescos,
        Translúcidos como água
        Em taças detalhadas,

Da vida pálida levando apenas
As rosas breves, os sorrisos vagos,
        E as rápidas carícias
        Dos instantes volúveis.

Pouco tão pouco pesará nos braços
Com que, exilados das supernas luzes,
        ‘Scolherrnos do que fomos
        O melhor pra lembrar

Quando, acabados pelas Parcas, formos,
Vultos solenes de repente antigos,
        E cada vez mais sombras,
        Ao encontro fatal

Do barco escuro no soturno rio,
E os nove abraços do horror estígio,
        E o regaço insaciável
        Da pátria de Plutão.
Sólo el tener flores afuera a la vista
En los pasillos largos de los jardines exactos
        Basta para que podamos
        Encontrar la vida leve.

De todo el esfuerzo aseguremos quedas
Las manos, bailando, para que no nos tome
        Del pulso, y nos arrastre.
        Y vivamos así,

Buscando lo mímino de dolor o gozo,
Bebiendo a sorbos los instantes frescos,
        Translúcidos como agua
        En copas detalladas,

De la vida pálida llevando apenas
Las rosas breves, las sonrisas vagas,
        Y las rápidas caricias
        De los instantes volubles.

Poco tan poco pesará en los brazos
Con que, exiliados de las supremas luces,
        'Scogeremos de lo que fuimos
        Lo mejor para recordar

Cuando, acabados por las Parcas, seamos,
Bultos solemnes de repente antiguos,
        Y cada vez más sombras,
        Al encuentro fatal

Del barco oscuro en el taciturno río,
Y los nueve abrazos de horror estigio,
        Y el regazo insaciable
        De la patria de Plutón.
Odes De Ricardo Reis
Ricardo Reis

©2005-03-27 by Sebastián Santisi, all rights reserved.


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